quarta-feira, 22 de junho de 2011
segunda-feira, 20 de junho de 2011
quarta-feira, 15 de junho de 2011
Vice Verso Liberdade!
Liberdade, de Carlos Drummond de Andrade
O pássaro é livre
na prisão do ar.
O espírito é livre
na prisão do corpo.
Mas livre, bem livre,
é mesmo estar morto.
Liberdade, liberdade!Este foi & é o grito, a palavra poética, do Vice Verso desta quarta. Não à toa, nos últimos meses temos acompanhado as ações truculentas do Estado – munido com um de seus aparelhos repressores, a polícia – para impedir a livre manifestação, a LIBERDADE de expressão. Como resposta, de norte a sul do Brasil jovens se reúnem para marcharem ... mas, para aonde vamos? Temos direção? No programa desta quarta, reunimos uma voz do passado e outra do presente para uma discussão sobre o nosso tempo: o professor de Filosofia da Ufes Maurício Abdala e uma das representantes do Circuito Fora do Eixo ES, Kênia Lira. O bate papo rendeu bem, ainda mais porque tivemos a participação da poeta Renata Bofim, falando sobre seu último trabalho, o livro Arcano Dezenove, e o comentarista de literatura, Marcos Ramos, problematizando nossa palavra poética no contexto da produção literária contemporânea. Pra fechar a roda, Conrado Segal encerrou o programa com sua Marcha estudantil o jogo imbecil.
Se você perdeu, não se desespere! Calma alma minha, calminha, basta clicar no link PODCAST do nosso portal, o programaviceverso.com.br, e conferir o que rolou. Por aqui, segue o escrito. Hasta La vista & vamu que vamu, Riobaldo!!!!
Música: Liberdade! Liberdade! Abre as Asas Sobre Nós (Imperatriz 1989)
Música: Tom Zé - Sobre a Liberdade
Poema: Carlos Drummond de Andrade – Liberdade (na voz de Paulo Autran)
Música: As Chicas – Alô, Liberdade!
Música: Marcelo D2 – Baseado em fatos reais
Música: Casa das máquinas - Liberdade espacial
Elisa Lucinda - O poema do semelhante
quinta-feira, 9 de junho de 2011
5 minutos com Moisés Nascimento - Sobre monólogo e a peça Cárcere
O que é liberdade para você? Hum, achou a pergunta difícil? Talvez seja porque cada um viva a sua própria ideia de liberdade. Ou será que ainda vivemos em cárceres? Moisés Nascimento traz no comentário da semana esses questionamentos que são o tema central da peça O Cárcere, que estará em cartaz neste final de semana no Teatro Carlos Gomes, no Centro de Vitória. O trabalho é do ator/diretor Vinícius Piedade, cujo texto é uma parceria entre ele e o já consagrado escritor e dramaturgo capixaba Saulo Ribeiro (mais informações sobre a peça no final do post). O assunto também rende uma reflexão sobre o monólogo e suas transformações ao longo do tempo. Tá esperando o quê? Dá o play e depois leia o comentário completo:Tem mais 5 minutinhos? Moisés Nascimento fala mais:
Se vemos a dramaturgia abrir-se para o monólogo, aceitando-o como uma das formas de expressão do teatro contemporâneo – principalmente a partir dos anos de 1950 (Vitória, inclusive, já teve um festival nacional só de monólogos), não era bem assim que acontecia épocas remotas, onde reinavam os teatros realista e naturalista. Isso porque, na dinâmica naturalista e realista, é inverossímil pensar numa personagem que, em diálogos consigo mesmo, numa representação do ato de pensar, por exemplo, fale em “voz alta”. “O homem só não fala em voz alta”, é o que dirão aqueles que pensam o teatro de forma sintética, como uma síntese da vida humana.
Monólogo, portanto, etimologicamente, é um discurso pronunciado por uma única pessoa. É o contrário de diálogo, que pressupõe duas vozes.
Por sabermos que o próprio teatro realista/naturalista fracassa na tentativa de não deixar marcas do criador/enunciador nos diálogos que ocorrem na peça – isto é, não há a menor possibilidade do texto vir a ser naturalista de fato, sem o dedo do ator ou do autor – podemos afirmar que também não existe monólogos sem diálogos com o Outro, ainda que este seja fruto da imaginação, do inconsciente. O monólogo, sobretudo no teatro contemporâneo, é uma representação da ficcionalidade do Eu; o Eu que fala dirige-se a um Eu ouvinte.
Pode ser que, no decorrer do espetáculo, apenas o Eu locutor se pronuncie. Todavia o que ouve está lá presente, ainda que invisível. Há sempre a necessidade dele ali presente. Uma coisa interessante de se dizer é que no o teatro contemporâneo, em que a quarta parede parece não ser mais necessária, muito desse diálogo é travado com o próprio espectador – não apenas com o intuito de estabelecê-lo, mas também de convocá-lo à realidade que vigora no palco.
Muito desses diálogos podem ser notados na peça Cárcere, um espetáculo por vezes cômico, mas que gera um riso dolorido, inquietante. É um monólogo de reflexão, em que a personagem, no caso um pianista, expõe seus dilemas, anseios e angústias vividas durante uma semana numa prisão. De dentro “do seguro”, lugar pra onde são enviados os presos jurados de morte por outros presos, o pianista, ao mesmo tempo em que narra fatos de sua vida dentro e fora do presídio, expõe, sem qualquer necessidade de uma lógica narrativa, o caos cognitivo e emocional que ali vive.
Mais do que um monólogo, Cárcere é um grande solilóquio, é um texto/encenação que se diverge da ideia dialógica do teatro naturalista, mas que mergulha na subjetividade e fragmentação do Eu. Através da proposta da prisão, de narrar um pianista enclausurado, Cárcere expande suas metáforas para a própria situação do sujeito contemporâneo, que, independente do ambiente que vive, está mergulhado num estado de sítio, de vigilância, de controle.
Para ficar em apenas um exemplo do texto, recorto aqui uma passagem bacana, em que o pianista troca algumas palavras com o carcereiro:
Viro para um carcereiro e peço sua ajuda, pergunto “o que é liberdade pra você?”. Ele, dando as costas, responde “liberdade pra mim é fazer o que vou fazer agora: vou pra casa!” Aí eu consigo dizer um “até amanhã” pra ele, que me olha feio, sabendo que vive os dias na cadeia e as noites em casa, num regime semiaberto ao inverso. Página em branco.
A situação do carcereiro, levada para o dia a dia, exemplifica muito do cotidiano do sujeito contemporâneo. Será que não vivemos numa prisão? Será que nós, efetivamente todos nós, não vivemos em regimes semiabertos? Ou talvez fechados? Ou talvez perpétuos?
Sabemos que o que move o mundo, segundo a máxima popular, não são as respostas, mas sim as perguntas. Portanto, o convite à questão está feito. Bora ao teatro, pois Cárcere estará no Teatro Carlos Gomes neste fim de semana: Sábado (11/06) às 20h, e no Domingo (12/06) às 19h.
Os ingressos podem ser adquiridos na cafeteria Kaffa (Rua da Lama), na bilheteria do teatro ou diretamente com a produção do espetáculo: (27) 8187-9272 – Ariny Bianchi. Valores: 30 reais (inteira) e 15 (meia).

quarta-feira, 8 de junho de 2011
segunda-feira, 6 de junho de 2011
5 minutos com Fernando Duarte - O encontro com o coloquialismo
Pegando carona na recente polêmica envolvendo o Ministério da Educação (MEC) e sua adoção do livro Por uma vida melhor, da coleção Viver e Aprender - que reconhece a fala coloquial como uma forma aceitável de expressão -, o nosso comentarista de música, Fernando Duarte, chama a atenção para o uso do coloquialismo na MPB. A exemplo, Fernando cita Noel Rosa (foto) como artista fundamental para o processo de inclusão das falas das ruas nas canções populares. Ouça:Fernando Duarte escreve sobre o assunto:
O primeiro sopro de linguagem popular na canção urbana veio do sertão. No início do século, o maranhense Catulo da Paixão Cearense era conhecido como poeta, violonista e compositor de modinhas. Já estava radicado no Rio de Janeiro há décadas e foi a partir de seu encontro com o violonista João Pernambuco, que se interessaria pelo falar do sertanejo, colocando letra em músicas como Luar do Sertão e Cabocla de Caxangá.
Em 1922, muitos músicos nordestinos foram ao Rio de Janeiro participar das comemorações do centenário da Independência do Brasil, o que provocou um grande interesse na música da região e o aparecimento de grupos que imitavam os ritmos, vestimentas e expressões dos sertanejos nordestinos. No entanto, esse linguajar era mais usado como um recurso cômico, contrastando com as letras rebuscadas, pretendendo demonstrar cultura e erudição.
Enquanto a literatura passava pela revolução do Modernismo, a música popular ainda era um reflexo do Parnasianismo. Usualmente vindos de grupos sociais com menos acesso à cultura letrada, os compositores populares tinham pouco (ou nenhum) contato com a arte de vanguarda e se prendiam a um estilo de poesia presente nos livros escolares dos níveis básicos.
Noel Rosa, filho de classe média, que chegou a ser estudante de Medicina, foi figura fundamental do processo de incorporação da fala das ruas. Além de ter intimidade com poesia e a cultura erudita, transitava livremente pelos morros e botequins e participou do Bando de Tangarás, cantando emboladas e outros ritmos nordestinos. Sua obra deu a tônica das letras de samba nas décadas seguintes, com um estilo leve e irônico.
Duas décadas depois da morte de Noel, coube aos jovens compositores da Bossa Nova (auxiliados pelo experiente poeta Vinicius de Moraes) a continuidade do processo, trazendo para as letras das canções não só o falar da juventude, mas também um mundo de temas e sentimentos próprios. Ao superar as letras de fossa, traição e tristeza do samba-canção, a Bossa Nova abriu a música para um mundo ensolarado e de novos valores sintetizados no grito de "Chega de saudade”, uma ode aos “abraços e beijinhos e carinhos sem ter fim”.
Veja o vídeo citado no comentário, onde Noel Rosa (em pé tocando violão) e o Bando de Tangarás apresentam a canção "Vamos Falar do Norte" (1929):
Fernando Duarte é musicólogo pesquisador, instrumentista, compositor e arranjador com passagem por vários grupos de choro, mpb, rock, jazz e pop.
fale com ele
e-mail: fernandond@gmail.com
my space: www.myspace.com/fernandonduarte
quarta-feira, 1 de junho de 2011
Vice Verso Sorriso :-)
Um programa pra sorrir, assim foi o Vice Verso desta quarta. Nossos entrevistados, a atriz Tina Moraes, que interpreta há 23 anos o palhaço Suspiro, e o facilitador de Biodanza Rogério Silveira falaram sobre o trabalho de fazer as pessoas sorrirem. E claro, Tina Moraes nos fez dar boas gargalhadas com suas piadas...
Para completar o time, o músico Matheus Krüguer marcou presença , fazendo o som do seu novo trabalho, que será lançado amanhã (02/06), às 20h, no teatro do Sesi de Jardim da Penha. Fechando a roda & aproveitando a polêmica do MEC, o comentarista de música Fernando Duarte falou sobre o coloquialismo na canção popular brasileira, no quadro 5 minutos.
Perdeu o programa? Dê uma passadinha em nosso portal, no link PODCAST, e escute o que rolou.
Segue o som... mas antes, um poema de Ferreira Gullar que não deu tempo de falar no programa:
UM SORRISO
Quando
com minhas mãos de labareda
te acendo e em rosa
embaixo
te espetalas
quando
com minha acesa antorcha e cego
penetro a noite de tua flor que exala
urina
e mel
que busco eu com toda essa assassina
fúria de macho?
que busco eu
em fogo
aqui embaixo?
senão colher com a repentina
mão do delírio
uma outra flor: a do sorriso
que no alto o teu rosto ilumina?
Elis Regina – Vou deitar e rolar
http://youtu.be/bKMSCyyOya4
Djavan – Sorri
http://youtu.be/onxtyzLhH9o
Cartola – O sol nascerá (a sorrir)
http://youtu.be/_bBid7i34XI
Adriana Calcanhoto – Eu vivo a sorrir
http://youtu.be/3aJNZ5gQ9n0
Pedro Luís e a Parede – Cabô
http://youtu.be/lc0Q03jY3qI
