domingo, 26 de julho de 2015

Oficinas de Teatro e Sonoplastia na Rádio Escola no Ar - EMF Prezideu Amorim


Respeitável público,

eis mais uma edição da Rádio Escola no Ar! Como dissemos em posts anteriores, nóis do Vice Verso estamos em férias, mas não fomos pra Cuba não. Numa outra ilha, a de Vitória, exatamente no Bairro Bonfim, uma certa malemolência radiofônica tem sido aperfeiçoada em adolescentes e crianças da EMF Prezideu Amorim. No episódio de hoje, detalhes das oficinas de Teatro e de Sonoplastia, ministradas por Elvira Broetto - a nossa moça do design.


  Para início de conversa, alongamento.


Perder a timidez para falar no rádio com desenvoltura não é nada fácil, necessário é descolonizar o corpo do modelo comportamental "padrão", abrir o microfone e deixar as ideias fluírem. Já sabendo a timidez dxs adolescentes,  Elvira propôs atividades para desenferrujar o esqueleto da moçada.

                                 
A empolgação criou asas, literariamente...

Confiram abaixo, o que ela achou desse encontro:

A proposta da oficina com os adolescentes era deixá-los menos tímidos, trabalhar a improvisação e linguagem coletiva entre eles. O grupo me recebeu super bem, conversamos no início e nos apresentamos, expliquei um pouco o trabalho que venho desempenhando na Rádio Universitária e também os caminhos que percorri nas experiências com teatro e música.


Nos alongamos e aquecemos com dinâmicas corporais que trabalharam a velocidade, concentração e coordenação. Usei o jogo de bolinhas para o aquecimento. Eles participaram, inicialmente tímidos, das atividades que propus e aos poucos se soltaram de tal maneira que pude crer que o trabalho havia sido positivo.

O grupo estava mais solto e relaxado ao fim, desempenharam muitas atividades com improvisação na fala, corpo e principalmente criação e interpretação de personagens.
Achei muito produtivo, além de divertido. 

Ao centro, Elvira Broetto. (Esqu.) Luiza, Ademir, Nicole, Daniela Duana e Mariana.

Após a vivência, eles foram à sala da rádio passar o roteiro e se apresentar no intervalo do turno. Conversando com a Jamilla e a Duana, percebi que estavam bem tranquilos na execução do plano do "recreio", e acredito que um pouco disso deve-se à oficina, que os deixou mais soltos, menos travados.


Sobre a Oficina de Sonoplastia com o 5º ano...


           Da caixa mágica musical de Elvira, saíram vários brinquedinhos de sonoplastia. 

Uma oficina em que fazer barulho não é problema, muito pelo contrário. Perceber, pensar e reproduzir os sons ao redor com o que se tem à mão, ou com o que a mão pode inventar. Assim, damos os primeiros passos rumo à sensibilização quanto as potencialidades sonoras do texto literário, no nosso caso, o Auto da Compadecida, de Ariano Suassuna.


Abaixo,  Elvira Broetto contando cumequifoi esse encontro:

A proposta da oficina foi identificar as diversas formas de produzir sons para compor narrativas radiofônicas e introduzi-los no universo da sonoplastia.
O roteiro dessa ação foi construído para abordar as seguintes questões:

O que é a sonoplastia e o que faz um sonoplasta?

Como era feita antigamente, e ainda hoje, a composição de trilha. 

Sonoplastia vocal e corporal 

Apresentação da performance Carcará, da banda “Barbatuques” 





e também os diferentes sons que podem ser produzidos com o corpo/voz, como nestes vídeos:




Na sequência, uma prática em conjunto.

Sonoplastia com objetos 
Apresentação de alguns instrumentos/materiais/objetos e identificação dos sons produzidos por esses materiais;

Prática em conjunto.

Dinâmica de percepção do som e possibilidades 
Leitura do Ato nº 1 do Auto da Compadecida
(identificar as diversas formas de produzir sons para compor as narrativas das histórias).

As crianças participaram bastante da oficina, desde a parte em que vimos os vídeos (inclusive, pediram para passar novamente) até a experimentação de sons (corporal, vocal e com objetos).

Fiz algumas brincadeiras com eles, expliquei e incentivei o uso dos sons. Batucando no corpo, buscamos os diferentes tipos de som e mostramos, um a um, algum som diferente.

A experimentação com os objetos foi bem divertida, claro, as crianças estavam em estado de curiosidade e querendo mais e mais. Por isso, precisamos algumas vezes pedir silêncio para dar continuidade. Imaginei, desde o início, que alguma zorra se formaria.
Bagunça formada na oficina de Sonoplastia

Por fim, pensamos em algumas soluções sonoras aplicadas no texto do Auto, alguns alunos não participaram, mas dei continuidade aos que estavam participando.

quinta-feira, 16 de julho de 2015

Oficina de Orientação Vocal na Rádio Escola no Ar - EMF Prezideu Amorim

O ciclo de oficinas segue a todo vapor na Prezideu Amorim! Nesta edição, recebemos com muita alegria Aline Maria, cantora e integrante do Vice Verso, vindo nos dar uma palinha sobre Orientação Vocal. Durante a feitura do nosso planejamento, conversamos com ela sobre as dificuldades de leitura oral da garotada; e foi a partir desse diagnóstico que conduziu carinhosamente o encontro a seguir.


Aline Maria ensinando a projetar a voz.


As crianças do 5º ano foram ajudadas por ela na leitura do Auto da Compadecida, obra teatral de Ariano Suassuna. E ainda pegou o violão para fechar com graça!

Não poderíamos perder a oportunidade de pedir uma música, né?

Abaixo vocês podem conferir as impressões de Aline Maria sobre essa encontro a moçada da nossa rádio poéticoliterariaexperimental . Boa leitura!

Introduzi a breve oficina questionando a turma sobre o que era a voz e como ela era produzida no corpo, a fim de despertar a imaginação e o conhecimento do próprio aparelho. A turma interagiu com respostas diversas, todas elas pertinentes e apropriadas, como: “a voz é aquilo que a gente usa para falar”, mas o lugar onde eu almejava chegar era na relação imprescindível entre o aparelho respiratório e o aparelho vocal. Então expliquei aos jovens que a voz nada mais era que o ar que nós respiramos transformado, porém, em som. E que, portanto, para obter qualidade vocal era preciso buscar, antes, a qualidade respiratória. A partir deste entendimento, progredimos para a prática.
Apontei a respiração que comumente as pessoas desenvolvem ao longo da vida, que é prejudicial não só ao bom funcionamento da voz, como ao bom funcionamento do corpo: a respiração pulmonar. Pois, embora saibamos que o ar dirige-se inevitavelmente para os pulmões, não é a região pulmonar que devemos expandir para receber a respiração, isso é uma falsa impressão. Devemos, pois, expandir a região torácica com o auxilio da musculatura abdominal.  Essa respiração, quando desmistificada e praticada, libera espaço para a administração de uma quantidade maior de oxigênio que viabiliza maior possibilidade de uso e potência da voz. Feito isso, praticamos alguns exercícios básicos de aquecimento respiratório e seguimos com exercícios voltados para os demais segmentos da técnica vocal, como aquecimento das cordas – com escalas melódicas básicas; articulação (movimento dos lábios, expressão facial e parte interna da boca, sobretudo a língua) e projeção vocal (direcionamento e intensificação da voz).


Aplicamos, em seguida, no exercício de leitura do roteiro do programa que os próprios alunos estão construindo. Já pude ali notar diferenças relevantes na colocação vocal de cada um. As noções de respiração, em comunhão com as noções de pontuação textual, permitem ao leitor uma apresentação mais dinâmica do texto, sem ansiedade (qualidade comum dos adolescentes). Dessa forma, os alunos puderam experimentar uma leitura mais articulada, onde  cada voz tem seu espaço de atuação que deve ser bem utilizado ao máximo.

Já com o 5º ano...


                          Uma conversa inicial sobre aquecimento vocal

Com as crianças introduzi de forma similar. Desde o princípio, porém, dadas as diferenças de recepção e raciocínio, a metodologia utilizada foi outra.
Perguntei a elas o que se entendia por voz; liguei o conhecimento da voz ao conhecimento da respiração e destaquei a importância de se compreender nosso aparelho vocal como um instrumento – igual a outros instrumentos musicais. Como instrumento, o aparelho vocal exige cuidados e precauções: “Nossas cordas vocais são tão sensíveis quanto às cordas de um violão”, expliquei. Igualmente importante foi destacar as razões pelas quais se deve aquecer a voz antes de qualquer trabalho vocal. Usei o ofício do professor como exemplo e aproveitei pra explicar como pode ser prejudicial para a voz dos professores quando não há silêncio enquanto ele ensina. Relacionei o aquecimento vocal ao aquecimento do atleta, antes de entrar em campo, utilizando a metáfora do aviso: “O atleta, quando dá os seus pulinhos e corridinhas leves e constantes, ele está acelerando a circulação do sangue pra avisar ao corpo que o trabalho vai começar, para não pegar o corpo de surpresa”.
A prática do aquecimento vocal, no entanto, não teve muita relevância na oficina, uma vez que as crianças se escondem atrás de um falso constrangimento automático para não querer se expor. Fiz apenas uma dinâmica de escala melódica para iniciarmos a leitura do texto dramático “Auto da Compadecida”.
A princípio as crianças estavam, quase que em sua maioria, indispostas para a leitura (creio que em função de, neste dia, a escola havia saído mais cedo e eles permaneceram para a oficina). Sentamos no chão em círculo e iniciamos a leitura e, com o tempo, elas foram se soltando. Um detalhe que auxiliou bastante a leitura das crianças foram as intervenções das instrutoras na atuação da leitura (a coordenadora do projeto Jamilla e eu). Melhor do que explicando sobre articulação ou projeção de voz, quando líamos com vigor à nossa maneira, as crianças sentiam-se estimuladas a se empenhar mais na própria leitura. Não foi possível, portanto, desenvolver conceitos de técnica vocal com as crianças, uma vez que o desafio maior das crianças é vencer a timidez e desbravar o mundo da leitura. Ao final de nossa prática, todas as crianças envolvidas já estavam mais familiarizadas com a leitura, por sua vez mais dinâmica.
Ao final, cantei duas canções no violão, para descontrair, e foi um momento muito delicado e agradável. As crianças ouviram com atenção e cantaram junto.
Ambas as oficinas foram experiências muito ricas e, apesar da dispersão natural da idade, as crianças demonstraram interesse de aprender e melhorar a própria atuação. Foi muito gratificante.


Oficina de Vídeo na Rádio Escola no Ar - EMF Prezideu Amorim

No mês de julho, o Vice Verso está em férias da 104.7, mas continuamos na Rádio Escola no Ar compartilhando saberes com a moçada da EMF Prezideu Amorim. A Oficina de Vídeo foi a primeira num ciclo de 9 encontros, cujo objetivo é empoderar ságalera no trato com  alguns brinquedinhos tecnológicos & sonorocorporais.

Iuri Galindo, oficineiro de vídeo, Ademir, Nicole e Daniela.

Iuri Galindo, o rapaz do audiovisual, trabalhou alguns conceitos básicos na tentativa de os adolescentes possam utilizar os celulares na produção de vídeos. Ainda conversaram sobre resolução de imagens, razão, frame rate e algumas noções de fotografia. 

 Após um papo teórico, xs adolescentes saíram pela escola aplicando esses saberes na prática

Celulares apontados para o mundo, hora de transformar teoria em prática! Assim, saíram pelo pátio registrando o cotidiano escolar.
Já na oficina com a crianças, Iuri filmou nossa atividade de leitura dramática do Auto da Compadecida, peça teatral em processo de adaptaçãocom as crianças do 5º ano.

Abaixo, confira as impressões do Iuri Galindo após essa experiência:


Uma coisa que sempre achei problemática nas escolas, em geral, é a falta de matérias que incentivem a criatividade das crianças e adolescentes, por isso fiquei muito feliz com o envolvimento de toda a equipe Vice Verso no projeto Radio Escola no Ar.

Para a primeira oficina, tive um pouco de dificuldade em preparar o material de introdução ao assunto, mas o maior desafio foi trabalhar uma linguagem adequada ao público. É um pouco complicado explicar os fundamentos do vídeo porque a maioria dos conceitos técnicos são virtuais, então a melhor forma de compartilhar isso foi criando metáforas e aplicando-as em situações cotidianas.

Logo no primeiro contato com os adoelscentes, pude perceber uma vontade enorme de consumir cultura. Senti durante toda a oficina que todos estavam envolvidos e, mesmo quando houve conversa entre os alunos, consegui aplicar os conhecimentos da matéria - o que me deixou bem feliz, pois pude perceber que eles estavam absorvendo o conteúdo.

A segunda parte da oficina foi prática, sugeri que saíssem com seus celulares pela escola e fizessem um vídeo de um minuto. Nessa hora, consegui passar algumas dicas práticas para melhorar a qualidades das imagens e conhecer um pouco mais do olhar deles para planejar as próximas oficinas.

Na última parte, foi proposto que cada um editasse suas respectivas imagens. Infelizmente, essa etapa não foi realizada porque os computadores da escola não atendem aos requisitos dos softwares de edição de vídeo. Então, tive que finalizar a oficina e liberei os alunos mais cedo.

Ficou uma vontade de fazer mais. Sei que eles têm muito potencial e quero explorar isso. Quero aproveitar as outras oficinas que serão dadas pelos demais integrantes do Vice Verso e fazer uma mini produção audiovisual, distribuindo funções que se adequem a cada personalidade, como: cinegrafista, editor, diretor, diretor de áudio e diretor de fotografia. É um projeto que exige trabalho, mas tenho certeza de que todos os envolvidos se dedicarão para a realização do mesmo.

quarta-feira, 15 de julho de 2015

Diário de borda da Rádio Escola no Ar - parte VIII

 
E depois de tantos encontros sobre a vida e obra do poeta Manuel Bandeira, eis que as crianças entraram no ar pela primeira vez! A euforia foi grande, professores e alunos de ouvidos atentos na hora do recreio para essa que é a primeiras de muitas apresentações. Vida longa à Rádio Escola no Ar!


Abaixo, vocês podem conferir o depoimento da professora Duana Peixoto sobre a autoavaliação dos pequenos após essa primeira performance. 

A aula com as crianças começou com um bate papo sobre a primeira apresentação ao vivo que fizeram; foram pontuadas tanto as impressões dos que participaram da apresentação quanto dos que estavam no recreio ouvindo. Aqueles comentaram brevemente suas opiniões, dizendo que gostaram da experiência, demonstraram vontade de retornar em breve e elogiaram o amigo Lucas pela melhora na leitura - ele se apresentou com o poema “Irene no céu”. Tal comentário também foi feito pelos amigos que apenas ouviram e, além disso, questionaram as pausas que soaram para eles como “brancos” . Expliquei que o que pareceu “brancos” , na verdade, ocorreu por causa de problemas técnicas com o microfone e a mesa de som. Aliás, destaco a tranquilidade que tiveram com relação aos improvisos que apareceram durante a apresentação como, por exemplo, microfone falhando, músicas que não rodaram no pen drive, tempo encurtado do roteiro, etc. Após os alunos, as professoras também deram suas opiniões, elogiando bastante o programa e os incentivando a melhora.
Assim, encerramos o roteiro do Manuel Bandeira e seguimos para o próximo assunto: a radionovela Auto da Compadecida.

segunda-feira, 13 de julho de 2015

Diário de bordo da Rádio Escola no Ar - parte VII.I

Os adolescentes

Dionastan, Ademir, Nicole, Mariana, Daniela e Duana Peixoto - Literalmente, uma turminha do barulho


Se você estava curiosx para conhecer a nossa galera, taí. Sorrisos escancarados e mais uma semana aprendendo a voar nas ondas do rádio. Abaixo, Duana Peixoto fala sobre como foi o 7º encontro com essa galera, literariamente, do barulho!



Esta aula foi organizada para conseguirmos entrar no ar novamente. Os alunos, durante a semana, terminaram o roteiro e nos enviaram por e-mail para já chegarmos na aula com a correção feita, agilizando nosso tempo. Durante a revisão, pontuamos os desvios gramaticais e a necessidade de padronização desse tipo de texto. Além disso, a partir da playlist elaborada por eles, indicamos algumas músicas e artistas que dialogam com as escolhas feitas a fim de ampliarmos o repertório musical dos nossos futuros radialistas.


O encontro começou com uma conversa sobre o nosso próximo roteiro/programa, que será sobre o Tim Maia. Eles levaram na semana passada CDs com alguns discos do Tim, no entanto, somente um aluno escutou. Apesar disso, conversamos um pouco sobre a história, fases da carreira do músico, sobre o funk anos 80/90 e passamos uma atividade de pesquisa biográfica para trazerem na próxima aula. Em seguida, fizemos a releitura do roteiro com as correções, ouvimos as indicações e treinamos a apresentação. Infelizmente, o tempo não foi suficiente para que entrássemos no ar; mas como eles estavam empolgados, combinamos de fazer esse programa piloto no recreio da tarde.

No recreio da tarde...


Ademir e Luiza no comando

Entramos no ar no horário do recreio! Os quatro alunos foram liberados mais cedo das aulas para conseguirem chegar a tempo de passar o roteiro mais uma vez e, como ainda não aprenderam a mexer nos equipamentos, eu que fiquei comandando o som.


Pontuo algumas questões que precisam ser observadas para a próxima vez:
  • Anotar o tempo das músicas para dar tempo de apresentar todo o programa, já que nesse tivemos que adiantar e quatro músicas ficaram de fora;
  • voltar a trabalhar a entonação;
  • preparar o roteiro no computador para não terem problema de compreensão da letra na hora da leitura ao vivo;
  • além dos casos técnicos, atentar ao tempo de lanche deles na hora do recreio.



A apresentação fluiu muito bem. Apesar do nervosismo da estreia, conseguiram se atentar aos pontos que indicamos durante as aulas; e foi interessante observar como eles avaliaram, depois que desligamos tudo, a forma como cada um se colocou, pontuando principalmente o que devem melhorar. Como uma das alunas disse, “foi muito legal, mas temos que evoluir bastante, treinar mais”.

Diário de bordo da Rádio Escola no Ar - parte VII

Sétimo encontro, quase 2 meses de oficinas de rádio na EMF Prezideu Amorim. No post de hoje,  falaremos um pouquinho sobre o desenvolvimento do nosso Especial Manuel Bandeira com o 5º ano.

Elxs já chegaram pulando com o roteiro nas mãos! Não importa o tema, topam falar de tudo talvez porque desejem protagonizar no mundo - é a impressão que temos. Quando entramos na sala e somos recebidas com tanto carinho, pensamos no quão importante é não tomá-las como idiotas; o quão importante é levar um papo reto com a gurizada sem reduzi-las a uma linguagem imbecil.

Só para ilustrar o potencial revolucionário dos pequenos, apresentamos abaixo um vídeo que mostra a luta das crianças holandesas, na década de 1970, pelo direito ao espaço urbano, pelo direito de brincar na rua! É uma pena que não esteja traduzido, mas pelas imagens é possível ter uma compreensão geral do fato. Se acreditarmos na capacidade delas e lançarmos mão de textos desafiadores, talvez possamos construir uma abordagem literária que problematize o mundo tal qual ele é, sem máscaras.

Nosso tema agora é Manuel Bandeira e Tim Maia. Daí você nos pergunta o que os dois têm a ver. Nada, é a respostas. Mas, como as crianças estudaram o Tim nas aulas do gênero biografia, resolvemos inclui-lo na playlist e assim manter o diálogo com o currículo escolar. Inclusive, elaboramos um CD com vários vídeos do síndico do Brasil para construção de repertório musical. E foi tão bacana que uma aluna até trouxe um vinil dele para mostrar à turma.


Na aula de hoje, já com o roteiro em mãos, iniciamos uma convivência com os poemas de Manuel Bandeira que serão lidos durante o programa.


Exibimos esta performance de Trem de Ferro a fim de ajudá-los a perceber a relação entre as palavras e os sons, e também para terem uma referência de performance.



Outra coisa super bacana foi a escuta desse poema, na versão der  Tom Jobim e Olívia Hime. Pudemos exercitar nossos ouvidos percebendo as relações entre som e sentido, como o piano no ritmo do trem, o jogo de vozes, etc. Eles ficaram atentos e, pouco a pouco, reconheciam essa relação e arriscavam identificar os instrumentos. Acreditamos que é possível despertar nas crianças uma percepção voltada para as potencialidades sonoras do texto, e isso, lá na frente, facilitará a criação de   vinhetas e spots pro nosso programa.

Outros vídeos que exibimos
Esse vídeo teatralizado ajudou a compreender o contexto de palavras como pneumotórax, hemoptíse e ainda um importante dado biográfico do Bandeira, a tuberculose.




A onda é um poema interessante para explicar as assonâncias e como elas desenham sonoramente as ondas. 
Já os dois  vídeos abaixo foram mostrados para terem referências de outras crianças lendo poesia.





Atentar para os sons é algo pouco explorado nas aulas de Literatura na educação infantil, mesmo sendo a musicalidade uma forte característica da poesia brasileira. Para Maria Amélia Davi (2013, p.71),

o trabalho com a oralidade e com as formas populares frenquentemente não é visto como uma inserção no mundo da literatura. No entanto, ele é imprescindível: não apenas porque a literatura ajudaria as crianças a pensarem e a enfrentarem seus dilemas e problemas subjetivos, psíquicos, identitários, sociais; o trabalho com a literatura é fundamental também para que, a partir de práticas efetivas de aproximação do literário, as crianças percebam  a questão da sonoridade nas quadrinhas, nas cantigas, nos poemas infantis e nas trovas...

Ao apresentarmos esses poemas de Manuel Bandeira, desejamos expor xs alunxs ao contato com textos mais sofisticados para responder a uma inquietação em nossa pesquisa: o fracasso da leitura literária em sala de aula dá-se entre x alunx e a obra ou na forma da abordagem? Ou seja, na relação entre alunx e professorx?  A cada dia que passa, acreditamos mais que o problema não está na literatura.

Retomando ao início da aula...Todos com o roteiro nas mãos, iniciamos a conversa sobre o poema Porquinho-da-índia e mostramos algumas imagens para conhecerem esse bichinho tão simpático.




Feito todo esse trabalho de compreensão e imersão na obra, ensaiamos o roteiro, pontuando aspectos como dição, ritmo de leitura e performance. Aproveitamos para dividir a turma entre aqueles que queriam performar e xs que atuariam  na montagem da playlist, utilizando o programa ZaraRádio.

Houve bastante interesse delxs nessa parte técnica, pois muitxs têm como referência alguém da família que mexe com aparelhagem de som. E a festa só aumentou quando, dado o play, rolou aquele Miami Bass   no BG (música de fundo). 

Nosso ensaio transcorreu com alegria, muita agitação e interesse. De um lados xs DJs, de outro as apresentadoras e no centro os meninos recitando Manuel Bandeira. Na brincadeira de entrevistar xs colegas, um aluno, quando perguntado sobre o que mais tinha gostado no poema, respondeu: Irene preta. E assim, sem nos valermos do discurso de enfrentamento, suavemente vamos tratando das questões raciais - um de nossos focos.

Por hoje, é isso.